Wednesday, November 29, 2006

jet lag? não, é mesmo cansaço...

Acordo. Abro os olhos lentos, lentamente. A luz brilha forte lá fora…pego no primeiro relógio da mesa-de-cabeceira. Nove e meia...
-Nove e meia??!! Oh m”3$&@!!!! logo hoje que tenho reunião ás 10!!!
Saio da cama a correr, esfrego a cara com água que não há tempo para sabão, visto-me num ápice, não como, saio são nove e quarenta. Tenho vinte minutos para chegar ao laboratório, tenho vinte minutos para chegar ao laboratório…
Apresso o passo. Sei que não vou ter tempo, sei não vou ter tempo…olho para o relógio…espera lá! Não uso este relógio há uns tempos…BOLAS! Não o mudei quando mudou a hora…
São agora dez para as nove.

Tuesday, November 28, 2006

Londres que também te amo um bocadinho...

Podia contar-vos como doem cá dentro as saudades de casa, de abraçar “á velho” (com fortes pancadas nas costas) a minha mana, de beijar a minha mãe, de ouvir as palavras sempre carinhosas da minha avó, ou até de discordar com o meu pai. De me deitar e de sentir o cheiro dos lençóis lavados que só cheiram assim em minha casa…
Mas a verdade é que não deixo que essas saudades tomem conta de mim. Ao invés, deixo-me apaixonar lentamente, saboreando cada momento, pela cidade que me acolheu, amando-a também. Vivendo-a ao seu jeito.
Então, sinto-me em casa. Quase como se já me identificasse com este lugar por completo. Sim, deixaram de haver as novidades constantes, já não sou surpreendida, e até já peço, exijo, mais. Deixou de haver a paixão arrebatadora, o querer viver tudo, que se transformou em amor e carinho doce de quem sabe que tem tempo, muito tempo, para viver tudo. E é esse amor que me prende aqui e me faz sentir segura. Sou agora alguém mais racional, que desenha um mundo com mais lógica, com mais calma. Sei que sou agora pedaço de um mundo que não me pertencia e que conquistei a punho.

As fotos (proibidas) do concerto


Monday, November 27, 2006

Estou...

...que nem posso com uma gata pelo rabo.

Mariza no Royal Albert Hall

Já passaram 5 dias e ainda estou em choque. Bom demais para ter sido verdade;

A Mariza entrou no palco do Royal Albert Hall ás 7 e meia, cedo e a tempo cumprindo os costumes britânicos. Acompanhava-a Jaques Morelenbaum, brazileiro, produtor do seu ultimo álbum (transparente). Depois de ter ganho o prémio World Music da BBC, em 2003, a Mariza tem sido convidada regular nas principais salas de Londres, como o Barbican Centre e o Royal Festival Hall, com concertos que têem acabado sempre esgotados nas bilheteiras. No entanto, nem em Barbican, um espaço para 1900 pessoas, nem o Royal Festival Hall, aonde cabem quase 2800, se podem comparar, em dimensão e importância ao Royal Albert Hall, só comparável ao Carnegie Hall em NY. Nenhum outro Português actuou antes sozinho neste recinto, para quase 6000 pessoas, normalmente reservado a conhecidos artistas anglo-saxónicos.

A imprensa britânica deu um enorme destaque ao percurso da Mariza, com várias críticas positivas aos seus discos e muitos elogios ao seu estilo em palco. Chamam-lhe "the singer fashionist". O semanário Observer dedicou-lhe há dois fins-de-semana uma longa reportagem garantindo que este concerto "vai marcar a sua ascensão oficial ao estrelato internacional". O The Independent dedicou-lhe um artigo de duas páginas carregado de elogios é resumido pelo título "Perfeição Portuguesa", o The Guardian pergunta se estamos prontos para partir o coração. Também a revista Time Out, o vespertino Evening Standard e o gratuito Metro aconselharam o concerto nas respectivas agendas culturais como destaque do mês de Novembro. Enfim, estão deslumbrados…
Tal como eu fiquei durante 3 horas e meia na quarta feira passada quando a Mariza entrou em palco. Acompanhada pelos músicos Luís Guerreiro (guitarra portuguesa), António Neto (viola), Vasco de Sousa (viola-baixo) e João Pedro Ruela (percussão) confessava-nos;
«Lembro-me de passar à frente deste fabuloso local e pensar que um dia gostava de vir aqui ver um concerto. Nunca pensei que viria aqui dar um concerto», agradecia-nos por fazer-mos parte do sonho dela.
Eu agradecia em silencio por ter direito a entrada naquele sonho.

A primeira parte passava rápido embalada pelo “Barco Negro”, numa evocação a Amália, e pela “Recusa”. Carlos do Carmo, que entrou em palco logo na primeira parte, conseguiu cativar o público ao insistir que os ingleses presentes na sala poderiam pronunciar português correctamente e cantar «Lisboa menina e moça, como se fossem portugueses». Tendo em conta que pelo menos 60% da audiência era portuguesa convenhamos que os "Ingleses" até fizeram boa figura...

A segunda parte traz-nos Tito Paris, que nos revisita Cabo verde com um “sôdade”, invocando Cesária Évora. Está fechado o triângulo da lusofonia com a voz de África.
Mais para a frente é tempo de um dueto com Rui Veloso, um “Porto sentido”, bem sentido, que resultou mesmo muito bem, gostei.
Depois vieram a “Feira de Castro” e um “oiça lá ó senhor vinho” que animaram toda a malta. E a Mariza dançava folclore no palco.

Mas o momento alto do espetáculo ainda estava para vir. Sem microfone e em conjunto com os guitarristas cantou “á Portuguesa”, servindo-se da aústica do Albert Hall no meio do povo, como ela dizia, “da gente da minha terra”. O silêncio para a ouvir era de morte, como deve ser quando se canta o fado.
Ela cantou, dançou e encantou uma plateia de gente “da terra dela” esfomeada por um pouco de Portugal, delirante com uma prestação genuína.

Um espetáculo que re-via vinte vezes, do qual comprava o DVD e via outras vinte. Sem enjoar.

Wednesday, November 22, 2006

Monday, November 20, 2006

Research

"If we knew what it was we were doing, it would not be called research, would it?" -A.E.

Gostos mediterânico-orientais

Há uns tempos atrás o Michael foi ao Chipre e trouxe-nos um bolito que era um verdadeiro pitéu. Uma tarte feita com uma massa do tipo folhada toda enroladinha mergulhada num xarope dulcíssimo. A iguaria desapareceu num ápice, ou não fossem aqui os meus lab mates uns gulosões de primeira (eu não, eu não hã?).
Aquela era a minha primeira experiência com uma cultura/realidade desconhecida cuja paixão venho a desenvolver. Ora vejam…
Passados uns tempos foi a vez da minha colega de flat turca, Asyl, de me oferetar umas verdadeiras iguarias turcas. Uma espécie de gelatina com pistachos envolvida por açúcar em pó. O que aquilo era, não sei. Mas que era bom, de comer e chorar por mais isso era, e a Turquia ficou-me no goto pelas delícias de pistachos.
Na Páscoa o Michael lembrou-se de nos levar a almoçar fora a um restaurante…turco (sim, que isto de se ter patrões porreirinhos não é pra todos…). Pronto. Então aquilo que já mostrava pontinhas de ser bom passou a representar maravilhas no meu dicionário gastronómico. Fiquei fã da comida turca, dos molhos de yogurte com espinafre, dos grandes contrastes de passar e nozes com comidas mediterrâneas, das lentilhas e do húmus (para quem não sabe, patê de grão com alho e limão…hmmm).
Esta semana a malta veio de Atenas e imaginem o que trazem: (ai, ai eu até engordo só de pensar nisto…) umas caixinhas cor-de-rosa com uns bolitos que são do melhor que já provei, uma mistura de Chipre com Turquia, ou seja a tal massa enroladita com charope e pistachos…ai tão bons, tão bons…

Tudo isto para vos dizer que encontrei um novo paraíso gastronómico, ali prós lados mediterânico-orientais, o que torna a minha vida aqui neste país gartronómico-nulo (peço desculpa a quem acha fish&chips um grande património…) um pouquito mais decente…

Friday, November 17, 2006

Amanhã devo ir a isto: Tuga meeting em Londres

Aproveito para passar a palavra:

"Tuga meeting, para estudantes e investigadores portugueses de Londres e Inglaterra, este sábado, dia 18 deNovembro, entre as 15:30 e as 19:30 no Wilkins Haldane Room do University College London".
"Á volta de 60 tugas já confirmaram que vêem ao encontro.Portanto penso que será uma singularidade se não encontrarem um único tuga que tenha interessesacadémicos comuns ou que seja da mesma localidade em Portugal.Em relação aos indecisos, caso se apercebam ao último momento que desejam vir ao encontro, são mais que bem vindos a aparecer. "

(Caso alguém esteja interessado em comparecer também faça um comentário com o seu e-mail que eu mando a versão integral)

Thursday, November 16, 2006

Não, não estou igual, mas estou de volta. Mais forte.

Hoje chorei a ouvir isto (mandem o pessoal do office dar uma curva, ponham em ecrãn grande e o som no máximo)


Porque é bom ser criança outra vez, nem que seja só por um bocadinho...

Tenho saudades de ser pequenina. E de passar horas em frente ao ecrãn a ver isto. E de ficar muito chateada quando a minha mãe não gravava para eu ver outra vez em casa...
Obrigada Tiago por estas verdadeiras pérolas!

nas trevas da vida.

Ser, ter, existir. Definições confusas para explicar o fenómeno vida. Para explicar o que não se explica, o que se sente. O que se sente ao nascer, ao partir. Viver sente-se? Não. Viver é um “dado adquirido”. Viver é fazer de cada dia mais um, desejando ser feliz mas sem saber quando é que a vida trará a felicidade. Viver da forma mais obscura, morrer da forma mais lenta. Viver sem medo do amanhã, sabendo que o amanhã magoa. Viver sem sonhos quando o sonho está em nós.
Sentir. Sentir sem medos, sentir por se estar vivo.
Pergunto-me sobre a forma como encaramos a vida. Essa que nos trai a cada esquina e que continuamos a considerar valiosa. Porque queremos viver? Viver o sonho que se esfuma? Viver..viver por viver. Viver por se estar vivo. “Eu quero continuar a viver depois da minha morte.”

Wednesday, November 15, 2006

Mimos


Ás vezes quando estamos tristes os amigos afastam-se, incapazes de lidar com a nossa dor. Os meus amigos deram-me mimos.

Tuesday, November 14, 2006

Hoje estou triste.


penso no que somos, no que seremos amanhã. Frágil, sinto-me frágil perante a potência do mundo. Chove lá fora e sinto a chuva dentro de mim. A vida segue lá fora e eu apeei-me a meio do percurso. Deixem-me ficar aqui. Deixem-me ficar assim.

Monday, November 13, 2006


Gosto disto á brava!

Socorro!

Esta semana (de quarta a quarta) o pessoal foi todo para Atenas (oh, o que eu dava para também estar em Atenas….) á conferência Europeia de Terapia Génica e eu, a novata cá do sítio estou praki enfiada dentro do laboratório S-Ó-Z-I-N-H-A com…vá lá adivinhem…com a flausina.
Não lhe tenho ligado muito, a única coisa piorzita é que não tenho assobiado a minha Christmas song que lhe dá voltas ao estômago (e que eu assobio de propósito) porque os meus advogados de defesa não estão e corro o risco de levar um lambada que vinda de uma banhosa é capaz de deixar mossa….

Sunday, November 12, 2006

Casinha que te amo tanto...

Este fim-de-semana não houveram grandes novidades, não houveram passeios, não saí para o Christmas shopping na Oxford Street nem foi desta que fui a Greenwich. Este fim-de-semana foi meu, nosso, passado cá dentro da minha (nossa) casinha linda que todos os dias olho envebecida e que me deixa nas nuvens...
Sim, já sei, devo ter gasto milhões em electricidade, até porque me dei ao luxo de deixar o forno ligado horas a preparar verdadeiras delícias gustativas, mas ter o previlégio de (como dizia hoje o meu amor) viver constantemente numa varanda tem os seus custos...


Vou-me lentamente apaixonando, deixando-me levar pela vista linda e pela cozinha que é só minha (iupiííí) com as coisas que são só nossas. É tão bom chamar a um cantinho a "nossa casa", sentir-me aqui quentinha e protegida...deixar simplesmente a felicidade tomar conta. ai tão bom....

Friday, November 10, 2006

Straight versus Gay

para pensar, dissecar e corroer as entranhas...aqui

Wednesday, November 08, 2006

O jão disse...

...escreve aí um post a dizer que eu gosto muito de ti!

e eu escrevi. Tão bom!

Preferências existem.

Pronto, vou fazê-lo oficial. Todos nós temos os nossos blogs favoritos, aqueles que adicionamos á listinha aqui ao lado, aqueles a que vamos todos os dias por vezes mais do que uma vez por dia. Mas há, e não me digam que não, “o blog”. Aquele com que nos identificamos mais, o primeiro que visitamos todos os dias, a quequeluche que não é nossa e que gostamos de apreciar.
Eu apaixonei-me pelo blog da minhoca há uns tempos, ainda nem o meu blog existia. E as aventuras da minhoca, seja lá quem ela seja, gorda magra, besuntada com manteiga ou não são o meu delírio diário, a minha fonte de boa disposição pela manhã. ..
Pronto. Já disse.
A partir de agora já sei que vou ver o meu blogómetro ali do lado a estagnar…