Tuesday, June 03, 2008

Egoísta, pois sou.

Casou com Português? Tem direito. Vive em Portugal ou viveu durante x anos? Tem direito. (Até, porque não?) identifica-se com Portugal enquanto país? Tem direito. Tem uma tia-avó casada com um Portugues e pretende ir viver pró Reino Unido? Não me metam o dedo no rabinho...

Sim, sou egoista com a minha nacionalidade. Sou, porque a vejo ser espezinhada á mercê da entrada na Europa. Estou por demais cansada desta tanga. Só tem direito a ser Portugues quem sabe o hino. Quem tem um cheirinho da nossa história, quem apregoa o nosso misticismo. Quem veste a camisola sem ser pago por isso, quem tem laços com Portugal. Quem vibra com a selecção, quem responde um “obrigado” institivo. Faltavam-nos agora penetras.

33 comments:

Simãozinho, o Bife said...

Nunca estive tanto de acordo contigo miúda...

Cherry Blossom Girl said...

Concordo plenamente! Até porque ha pouco tempo tive conhecimento de um caso desse genero (tirar a nacionalidade Portuguesa so para poder ir para o Reino Unido) e nao achei piada nenhuma á história :\ Aliás a pessoa em questão nem gostava particularmente de Portugal, nunca cá esteve e ainda tem a lata de lhe chamar "terrinha"... grrrr!

Lua said...

Nem eu...

Principalmente quando se quer o passaporte mas ao mesmo tempo se pensa que PT é um país de terceiro mundo. Nem me faças falar. Tenho vizinhos desses e às vezes até me passo.

O problema é que se dizes chamam-te colonialista, racista e xenofobista.

Como te disse... don't get me started.

Cromossoma X said...

Mas era so o que mais nos faltava. Somos agora o "o pai de todos" ou que? E' que cada vez ha mais!!
E existem sites na net a ensina-los a pedir nacionalidade Portuguesa para dar o salto para a Europa!!! uisto E' infame!!! humpf.

imigrante said...

O porque sou Português e com muito orgulho!

Porque minha avó é Maria, meu avô é Manuel e ela sempre faz-me comer mais senão pensa que não gosto da comida. Porque tenho tios Antônio, José e também tias Marias. Porque o Natal na minha casa é com Bacalhau, bolinhos de bacalhau com muito azeite Gallo. Se não tiver bacalhau não é natal. Porque gosto de ouvir o sotaque, porque amo a terrinha e assim a chamo mesmo nunca tendo pisado lá. Porque sempre deixo tudo para a última hora. Porque sou católico mas só vou a igreja para casamentos e batismos. Porque minha avó diz que estou doente porque estou muito magrinho!

Meu avós quando aqui chegaram foram muito bem recebidos e viveram sem renegar a sua origem e nem se sentirem menos importantes por serem Brasileiros. E assim eu espero ser o dia que estiver em Portugal ou em qualquer outro lugar do mundo que eu escolher para viver.

Assim como no meu coração tem espaço para amar o meu pai, a minha mãe e por escolha amo a minha esposa, amo o Brasil, amo Portugal e por escolha o Reino Unido.

Todo dia acesso os vossos blogs e torço por vocês (Sonia, Simão e Lua), porquê? Porque me identifico, são emigrantes, falam a minha língua, afinal temos as mesmas origens.

Entendo o sentimento da Sonia no post, mas realmente fico muito triste com os comentários. Só fico triste porque me identifico com vocês, caso contrário não estava aqui perdendo o meu tempo.

Mas tenho esperanças, a Filipa ainda não deixou seu comentário aqui e vocês ainda não me conhecem pessoalmente, quem sabe possamos deixar este sentimento para trás.

Abraços,

Daniel Gouveia

imigrante said...

Correção:

Meu avós quando aqui chegaram foram muito bem recebidos e viveram sem renegar a sua origem e nem se sentirem menos importantes por não serem brasileiros de origem. E assim eu espero ser o dia que estiver em Portugal ou em qualquer outro lugar do mundo que eu escolher para viver.

Lua said...

Imigrante

Não tenho absolutamente nada contra quem quer obter o passaporte por se identificar com Portugal. Tenho sim muita coisa contra quem quer obter o passaporte e ao mesmo tempo criticar o país que lhe está a dar oportunidade. E digo isto para todas as pessoas que fazem o mesmo, sejam elas portuguesas, brasileiras, chinesas, romenas, russas ou outra coisas qualquer.

Acho que um passaporte só deve ser pedido quando o país que se adopta seja mais importante do que aquele que se deixa. Pelo que sei não estás a morrer à fome por isso não tens absolutamente necessidade nenhuma de o pedir. Se te identificas mais com Portugal então pede o passaporte. Se não te identificas mais com Portugal do que com o Brasil, então não, não concordo necessariamente com que sejas 'Português' por que no fundo não o és e queres ser só porque te dá jeito.

Atenção, isto não é nada pessoal por isso não tens nada de te sentir ofendido como me parece que sentiste. Acredito que isto se aplica a qualquer pessoa, a qualquer nacionalidade.

A grande maioria dos brasileiros que conheci disse-me, mais do que uma vez, que acha que Portugal é um país de terceiro mundo quando comparado com o Brasil e muitas, muitas vezes, consideram quase tudo o que seja Português pior do que quase tudo brasileiro. A grande maioria também conseguiu o passaporte só para vir para Inglaterra, só porque lhes dava jeito. Absolutamente mais nada. Ou nada que tenha a ver com a identificação com Portugal.

Se calhar tu tens opiniões diferentes acerca do que significa nacionalidade ou às tantas identificas-te mesmo com Portugal. Porém, se te identificasses mesmo com Portugal, porque é que não pediste o passaporte à mais tempo? Se queres ir mesmo para Inglaterra, porque é que não vais com passaporte brasileiro? Tu afinal não vens para Portugal, pois não?

Quanto aos vizinhos brasileiros, são estes com passaporte Português que não sabem nada, absolutamente NADA acerda de Portugal, não tem amor à camisola, à cultura e passam o tempo a contar piadinhas. Se o Brasil é tão melhor do que Porugal, então para quê o passaporte? Ah... pois é.... para vir trabalhar para Inglaterra. Nenhum dos meus vizinhos visitou Portugal aínda... e já cá estão à 7 anos.

Consegues ver a diferença ou não?

Lua said...

Uff, desculpem os erros todos!!!

'há' em vez de 'à', como é óbvio!

imigrante said...

Lua,

Entendo completamente o que sente com relação aos brasileiros que têm Passaporte Português, somente o usam e não satisfeitos somente falam mal de Portugal. Eu também fico muito aborrecido com isso. Como fico com qualquer pessoa que venha ou mesmo que tenha nascido no Brasil e daqui só fale mal.

O fato de ter ou não o passaporte não diz se uma pessoa realmente é ou não portuguesa ou brasileira.

A minha visão sobre nacionalidade é realmente outra, a minha visão é sou Brasileiro porque aqui nasci e amo esse país. Sou português porque toda minha família materna é Portuguesa e eu amo a cultura portuguesa. Se ao morar no Reino Unido e amar este lugar vou me considerar Britânico e isso farei com qualquer cidade ou país/cidade que eu aprenda a amar.

As suas perguntas com relação ao porquê de tirar somente o passaporte agora, o fazes porque ainda não me conheces. Não pedi o passaporte a mais tempo porque o processo é caro, longo e burocrático. E somente por isso não o fiz antes. Tenho 24 anos e agora com o dinheiro do meu trabalho tive condições de fazê-lo.

Os meus avós, que são Madeirenses da Ribeira Brava, vivem no Brasil desde que tinham seus 20 e poucos anos até hoje e não têm passaporte brasileiro. Os considero brasileiros da mesma forma que são Portugueses. Não será um documento que os fará mais ou menos portugueses ou brasileiros e sim o amor e respeito que têm por ambos os lugares.

Como faria caso tivesse um filho aí na Inglaterra e o pai dele fosse britânico? Ficaria chateada com ele se ele quisesse morar em alguma colônia britânica somente porque ele usou o passaporte que lhe dá direito?

Eu entendi o post e por isso digo que não me chateou. Entendi que o recado da Sônia foi: Queres o passaporte português? Ame Portugal!!!! Do contrário vá para o raios que o parta. E concordo plenamente com ela.

O que me deixou triste foram os comentários que começaram a fugir disso. Não me senti ofendido e sim triste. Se fossem de alguns portugueses que nunca sairam de portugal entederia mas não aceitaria. Há muito tempo acompanho vossas vidas e tenho um carinho e identificação com vocês, mas nunca imaginei que como imigrantes no Reino Unido admitissem a postura do "bloody foreigners".

Não quero que fiques chateada comigo e realmente espero que possamos nos conhecer (palavras escritas não têm entonação), quem sabe desse dia em diante possam falar: Alguns dos brasileiros que conheço só falam mal de Portugal.

Abraços,

Daniel Gouveia

Lua said...
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Lua said...

Daniel, não assumi qualquer razão para teres tirado o passaporte. Por isso a pergunta. Espero que isto fique claro.

Acho que não me expliquei claramente. Eu não tenho nada contra uma pessoa tirar o passaporte Português se realmente se identificar com Portugal, viva ou não em Portugal. Se não pensasse assim, estaria a ser bastante hipócrita, não achas?

Conheço quase todos os que postaram aqui e acredita que aqueles que conheço não têm a postura de 'bloody foreigners'. Têm a postura de 'bloody people who take our passport without knowing anything about Portugal'. Que tiram o passaporte porque somente lhes dá jeito, o que acho que é inaceitável, pelo menos se não se fizer um esforço para entender e aceitar o país do qual vai fazer parte, de uma forma ou de outra.

Infelizmente existem muitos, muitos brasileiros que nunca se interessaram por Portugal ou que têm uma visão francamente redutora e vitimizada acerca de Portugal. Achas que estes merecem ter o meu passaporte? Eu acho que não. Os que escreveram os comentários acima des creveram este sentimento, mais bem ou menos mal, entendes?

Eu vejo nacionalidade como uma coisa bastante importante. Só mudaria se fosse obrigada porque só me considero Portuguesa. Atenção, estou casada com um Romeno, adoro a Roménia, e vivo em Inglaterra, um país que adoro também. Mas não sou Romena, nem sou Inglesa. Sou Portuguesa. Os meus filhos terão passaportes destes países e são absolutamente livres de escolher o que acharem ser melhor, mesmo que isso signifique serem Ingleses e não Portugueses e Romenos.

Idealmente, acho que um passaporte só pode ser dado mediante uma entrevista onde o candidato tem de provar que conhece o país. Injusto? Talvez, visto que há muitos portugueses que não percebem patévia de Portugal. Mas estes pelo menos contribuem, de uma ou outra forma, para o país. Os que não nasceram em Portugal e que nunca contribuiram de forma alguma, têm de provar que conhecem o país. Mas uma entrevista a sério e não uma porcaria qualquer.

Tenho a certeza de que uma grande maioria dos brasileiros que conseguiram o passaporte português não o teriam conseguido se tivessem de passar por uma entrevista deste tipo.

Enfim. Se te sentes tuga, que te sintas bem. Mas muitos não se sentem. Somente isso.

imigrante said...

Entendido e compreendido. Estás a andar com os brasileiros errados :)

Desculpem a bagunça que causei aqui :-) nos commentários. Pelo menos agora não sou eu que só conheço vocês, agora vocês me conhecem um pouquinho mais ;-)

Vamos ver se um dia marcamos uma sardinhada com caipirinha ;-) e aí poderás dar-me umas boas dicas para quando eu for conhecer Portugal.

Abraços,

Daniel Gouveia

Cromossoma X said...

Daniel, Lua e a quem nos escute:

Primeiro que tudo gostava de escrever aqui que tenho uma verdadeira admiracao pelo povo Brasileiro, pela musica, pela comida, por tudo o que identifica a cultura Brasileira. Infelismente não tenho o prazer de ter grandes amigos Brazucas, mas penso que isso acontece mais por falta de oportunidade/casualidade do que por conflito de culturas – ate porque sendo o povo Brasileiro sempre tao amavel nao penso que isso seria algum entrave em estabelecer lacos fortes com alguem do Brasil com quem me identifique.
Tambem nunca fui ao Brasil, pais que acredito possuir uma beleza natural de relevo e atractivos suficientes para me deixar “com agua na boca” e vontade de visitar . Assim sendo, jamais escreveria por aqui algo contra os Brasileiros enquanto povo ou cultura.

O meu post tem outro proposito, como o proprio Daniel referiu.
Revolta-me que usem o meu pais para atingir qualquer proposito, quer sejam Brasileiros, Espanhois ou Guinenses. Revolta-me gente interesseira de um modo geral.
E revolta-me gente de qualquer nacionalidade que para entrar na Europa use Portugal quando nao se auto-identificam com o Pais, o que e' evidentemente o caso do Daniel.

Conheci ontem alguem que me dizia “ah, pois, eu tenho nacionalidade Portuguesa porque me convem para entrar en Europa mas nao quero saber de Portugal, nao. Pra que tambem ne? pais de gente pouco desenvolvida…”. Isto magoa-me e da-me o direito de dizer bem alto que esta gente no merece a nacionalidade Portuguesa. Nao merece! Digo outra vez e outra vez e quantas vezes forem necessarias que nao merece!!! Mas talvez seja como dizes: nao conhecemos os Brasileiros certos!!!

Dizendo isto, nao penso que os comentarios acima tenha desviado para um outro lado do que para este – nunca entrou para a discussao qualquer sentimento xenofoba contra quaisquer cultura…

Assim sendo, os meus (a)bracos estao abertos para quaisquer contactos com quem quer que seja, desde que venha por bem :) Daniel, sem remorsos ou sentimentos feios da minha parte convido-te a celebrar o dia de Portugal conosco, no Domingo em Kennington Park. Vao haver muitas sardinhas e broa Portuguesas !!

Cromossoma X said...

Hei, voltei a ler o meu post e houve algo que pode soar completamente diferente daquilo que penso:

“E revolta-me gente de qualquer nacionalidade que para entrar na Europa use Portugal quando nao se auto-identificam com o Pais, o que e' evidentemente o caso do Daniel.” -> Ou, em outras palavras, e’ evidente que o Daniel se identifica com Portugal!

Peco desculpa!!

imigrante said...

Tudo bem Sonia não se preocupe! Entendi o que disse. Muito Obrigado pelo convite mas devo me mudar definitivamente para Londres somente no fim do mês :-(, mas oportunidades não faltarão para aproveitarmos todos juntos uma boa festa portuguesa com certeza!

Abraços,

Daniel Gouveia

Lua said...

Sim Sónia, concordo.

Como disse mais acima, não interessa se são brasileiros ou o qualquer outra nacionalidade!

Estou morta por ir ao Brasil mas ainda não tive oportunidade. A ver vamos se daqui a uns anos tenho :)

Daniel... hehe... coitados, errados até não. São muito boas pessoas, tenho a certeza. Só não são muito informados e um pouco oportunistas. Contudo, fazem uns churrascos de chorar por mais :)

Wask said...

Sem querer meter mais lenha na fogueira nem atacar o Daniel, que gosto bastante de ver que tem Portugal no coração, estou à espera do dia em que a União Europeia vai pedir satistações a Portugal por permitir que terceiras e quartas gerações de descendentes de portugueses obtenham facilmente o passaporte português e imediatamente deem o salto para o Reino Unido, Alemanha, Itália ou Holanda.

Nunca se viu tal coisa em mais país nenhum.

Ainda ontem falava com uma modelo minha inglesa que tem quase a totalidade da familia nos EUA (nascidos lá) e não consegue obter o visto para ficar mais do que dois meses! E estamos a falar dum país enorme e com apenas 500 anos de história, e destes quase 300 de dominio ingles!!

Não consigo concordar com o facto de ter-se acesso a um passaporte português apenas e só para vir para a Europa dita civilizada, ignorando cultura, tradição e o amor lusitano tão nosso caracteristico.

Deixo apenas uma questão: Se todos os países da União Europeia permitissem a entrada e estadia sem visto, que percentagem de brasileiros se iria lembrar que tem uma avó velhita que nasceu em Freixo de Espada à Cinta?

Lua said...

Nem é lenha no fogueira Vasco, são verdades. Verdadeiras, infelizmente.

O que me entristesse é um facto bastante simples, embora este pareça bastante catastrófico. Se algum dia Portugal precisasse de todos aqueles que são portugueses, e.g. uma guerra, etc, quantos brasileiros queimavam os passaportes?

Também acrescento que acho que passaportes só devem ser dados quando se vive no país/ se contribui para o desenvolvimento deste durante um x de anos.

Relembro que estamos a falar de emigração e não de refugiados.

xuxidiva said...

bem isto está concorrido...concordo com o que foi dito aqui.
Enerva-me que as pessoas tirem pasaportes sem conhecerem a língua, a cultura, a história...é triste e é ultrajante para quem é português de sangue ou de coração. Se apanho alguém a dizer mal de um dos meus países,não sei não...
acho que asleis deveriam ser mais apertadas, e depois é muito muito injusto, por exemplo sei de um menino que nasceu em Portugal, cujos pais já fizera,m aplicação para cidadania portuguesa porque o podem fazer e porque vibvem em Portugal e não pretendem voltar para o país de origem e o menino é actualmente apátrida. Não é Moldavo, porque não nasceu lá e não é português porque o governo não lhe atribui automáticamente o direito. Teve de ser feito um requerimento pagar ao estado um xis de dinheiro (duzentos e tal euros se não estou em erro) e eu fui uma das testemunhas para o menino requerer a nacionalidade portuguesa, quão ridículo é isto face ao que foi exposto por vocês- tirar a nacionalidade Portuguesa so para poder ir para o Reino Unido? eu nem sabia que isso era possível... Há qui dois pesos e duas medidas? é que a bem dizer estes pais (que vão ser portugueses em breve) contribuem para o Estado Português com o seu trabalho e impostos...falam a língua, e tudo o resto...

Deda said...

Gente, muito cuidado com as generalizações. Assim começaram grandes erros da história da Europa. É certo que há casos como os que vocês referiram. Mas eu poderia passar uma tarde inteira a enumerar tantos outros exemplos que contrariam cabalmente as vossas afirmações. Estou a falar de pessoas que, como eu, desde criança sempre tiveram em casa exemplos de amor e respeito por Portugal. Pensem nisso.

PS. Eu nasci no Brasil, eu sinto-me luso-brasileira, eu tenho passaporte português há mais de vinte anos e eu só sei cantar um ou outro verso do hino português.

Lua said...
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Lua said...
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Lua said...

Deda, generalizações acerca de Portugal há aos molhos! O erro também está a ser cometido desse lado do oceano! Podes-me dizer, com uma cara mesmo, mesmo séria, que a maioria dos brasileiros têm um conhecimento adequado acerca de Portugal? E não digo somente o Portugal de hoje, mas o Portugal de há uns séculos valentes? Eu acredito que haja muitos, muitos Portugueses que não sabem nada acerda do Brasil, mas a grande diferença é que não estamos a tirar passaportes brasileiros, não é?

Isto não tem nada a ver com amor e respeito. Não conheço muitos portugueses que desrespeitam o Brasil. Tem a ver com o se receber um passaporte que, na sua vasta, vasta maioria, é usado para tudo menos para o benefício de Portugal. Adorava ter as estatísticas de pessoal que veio para o Uk e de pessoal que foi para PT...

falar de amor e respeito é muito bonito até acontecer a mesma coisa aos que apregoam estas palavras giríssimas e politically correct. Mas na vida real, não é bem assim. Repito que estamos a falar de casos que são completamente desligados de países específicos. Isto não absolutamente nada a ver com o ser-se brasileiro, russo, romeno ou chinês, ok? Tem a ver com o direito de se ter um passaporte quando não se conhece e/ ou não se aceita o país, a cultura. Principalmente quando nada se contribui para o país em questão.

Neste momento os brasileiros são motivo de conversa porque há brasileiros aos potes no Uk com passaporte português e a grande maioria sabe pívia de Portugal :( Não é uma opinião pessoal Deda, é um facto. Por muito que isto custe a muita gente.

Repito, isto está para além de nacionalidade...

Deda said...

Lua,

Compreendo a sua posição em relação aos tais casos específicos - pessoas que aproveitam a facto de terem um avô português, tiram o passaporte, entram na Europa e não só desconhecem a cultura portuguesa como também desdenham do país que lhes abriu a porta para o mercado de trabalho inglês.
Contudo, volto a repetir, estes casos são específicos. Não podem servir para uma generalização abusiva que só reforça sentimentos xenófobos.
O Brasil, que troquei por Portugal há quase uma década (tenho 31 anos), recebeu após a Segunda Guerra Mundial milhares e milhares de portugueses. Esses portugueses tiveram filhos - hoje a comunidade portuguesa no Rio de Janeiro é superior a um milhão de habitantes - e é natural que estes descendentes queiram ter passaporte português.
No caso da minha família, a paixão da segunda geração por Portugal foi tão forte que tanto eu como o meu irmão decidimos trocar o Rio de Janeiro pelo Porto (os meus pais, que são portugueses e continuam a morar no Brasil, veja só). A nossa mudança e a óptima adaptação não seriam possíveis se não tivéssemos tido acesso à dupla cidadania.

Eu não estou a pedir para mudares de opinião, quero apenas que consigas ver que um copo meio vazio também está meio cheio. E que moderes, juntamente com os outros intervenientes, o tom das acusações genéricas.

Qualquer país com um passado colonial tem quezílias históricas e "filhos" dispersos. Uns são extremosos, outros pródigos e tantos outros oportunistas. Não me parece justo ofender os extremosos por culpa dos oportunistas.

Lua said...

Deda, vamos por partes, ok?

Primeiro estás obviamente a confundir o facto de referirmos e exemplo dos brasileiros como algo que demonstra o caso actual de abuso de requisição de passaportes com o que tu achas que pensamos dos brasileiros de uma forma geral.

Primeiro, existe uma diferença enorme entre o pedir o passaporte português quando se é filho ou filha de um português do que quando se é netou ou neta de um português. Em muitos países tens o direito de ter cidadania dupla e até múltipla quando és descendente directo (1a linha). As razões históricas, culturais e práticas não são assim tão difíceis de entender.

Deste-te como exemplo e disseste que tens o passaporte há mais de vinte anos. Também disseste que os teus pais são Portugueses, não que os teu avós são Portugueses. Eu entendo perfeitamente que te tenhas sentido portuguesa e que tenhas tirado o passaporte português mas também entenderia se te tivesses sentido mais brasileira. Contudo, tu estás numa posição onde verdadeiramente esta ligação a Portugal tem hipóteses de ser mais forte.

Quantos brasileiros que 3a geração se sentem mais portugueses? Quando temos e exemplo de outro país que teve emigrantes em massa como os EUA, quantos americanos de 3a geração se sentem ou alemães, italianos, portugueses, grecos? Em Inglaterra, quantos ingleses de 3a geração se sentem nigerianos ou somális? Achas que isto é um facto comum? O de adoptar o passaporte dos avós (não interessa se é possível ou não?)

Agora quanto às generalizações xenófobas de que nos acusas.

Quanto à generalização: Tu falas em caso específicos, não é? Olha, ou temos todos azar com os brasileiros que conhecemos, ou a grande maioria daqueles que conhecemos não tem intenção alguma de algum dia ou ir a Portugal ou ir para Portugal. Acrescenta que uma grande maioria destes 3a geração conhece muito pouco acerca de Portugal. Eu não dúvido que haja muitos brasileiros que são diferentes mas os que conhecemos aqui não representam muito bem a ideia concreta que descreves. Os que conheço aqui estão no processo de procurar o tal familiar perdido de Portugal. Os que já receberam um não da embaixada, estão agora à procura do familiar italiano. Não achas isto um pouco estranho e, no fundo, bastante injusto? Então, sentem-se Portugueses na embaixada de Portugal e italianos na embaixada de Itália?

Quanto ao xenofobia: Tenho de referir que acho que és muito injusta quando chamas um nome tão feio. Também acho que tens de verificar o significado da palavra. mais uma vez. Nós não temos aversão aos brasileiros. De forma alguma! Quanto mais historicamente e culturamente!

Já foi aqui referido mais do que uma vez que o que não concordamos é com abuso de requisição de passaportes. Vou-me repetir outra vez mas aqui vai: Não concordamos com pessoas que requerem o passaporte só para vir psra o UK, quando obviamente não se sentem Portugueses ou conhecem Portugal.

Voltando a todos os exemplos que me deste, então pergunto-te mais uma vez:

Quantos brasileiros agora (há vinte anos não interessa e muito menos cidadanias pedidas por 2a gerações!) pedem passaporte porque se sentem portugueses e não porque somente (e este somente está a negrito e sublinhado porque SOMENTE destes falamos) precisam de ir para o UK? Eu sei que tu não podes dar números, mas por favor dá-me percentagens! Na tua opinião é claro!

Torno-te o trabalho ainda mais fácil: quantos brasileiros que estão no UK (e não em Portugal), e que sendo 3a geração, pediram passaporte português, o fizeram porque, de facto, se sentem Portugueses, e não somente porque precisam de um passaporte da UE?

Não são atitudes xenófobas Deda. São meras impressões que são culturalmente e financeiramente plausíveis. No fundo nem generalizações são porque é bastante claro que estamos conscientes de todos os casos que são parecidos com o teu. Não há porque ter algo contra pessoas que muito fazem por Portugal, seja ele dum ponto de vista cultural ou económico! Não serás tu que tens medo de reconhecer esta 'trend'?

Também não te estou a pedir para mudares de opinião mas sim para entenderes este assunto do ponto de vista de Portugal. Nada disto aconteceu ao Brasil porque a história ainda não vos fez passar por isto. Os emigrantes que para aí foram contribuiram com sangue e suor para a melhoria do Brasil. Achas que se passa o mesmo em Portugal ou em Itália com todos os milhares de passaportes que estão agora a ser dados e dos quais Portugal não beneficia nem um pouco?

Cromossoma X said...

Eh lá. O que para qui vai!!!

Deda, penso que houve uma interpretação errada do meu post e das mensagens de Portugueses que por aqui passaram seguidamente.

Em nenhum momento houve por aqui qualquer comentário xenófoba ou generalista em relação ao Brasil. Por favor, re-lê o que foi escrito e verás que o que digo é verdade. E sabes porquê? Por que não pode existir, porque nao sinto qualquer negativismo em relaçao ao Brasil enquanto País ou Brasileiros enquanto povo…. Pelo que a tua questao de “ofender filhos extremosos” nem sequer é questão.

Existe gente boa e má por todo o mundo. Quantos, (quantos, meus Deus!!) Portugueses não existem a fazer coisas “erradas” noutros paises? Quantos não estão por aqui a viver á custa do estado, por exemplo (comparável na medida que existe aproveitamento de uma nacão)?. Eu nao os defendo por serem Portugueses, reconheco que agem erradamente!!! Nem fico sequer ofendida com quem os critica, porra, é verdade!!!


Agora, é um facto de que existe uma quantidade ENORME de Brasileiros a aproveitar o facto de terem um antepassado remoto Portugues para a entrada na Europa. Vou repetir: é um facto de que existe uma quantidade ENORME de Brasileiros a aproveitar o facto de terem um ANTEPASSADO REMOTO Português para a entrada na Europa. Nao estou a falar de uma mae, nao estou a falar de um avô. Estou a falar de gente que se APROVEITA de ter um tio-avo casado com uma Portugues, que nem é de sangue mas que “fit for the purpose”. Dá jeito, não é? Mas se não houver um familiar Português que exista um Italiano, como disse a lua…não interessam os meios, o que importa é o fim.

Mais, estes agoro Luso-Brasileiros são na sua maioria completamente ignorantes em relaçao á história e património Português e têm a coragem de morder a mão que lhes dá de comer e falar mal de Portugal á boca cheia
Deda, quer queiras ou não reconhecer, isto é um facto. Conheço n gente assim por aqui, e pelos vistos, pela quantidade de comentários que o post gerou, não sou a única descontente com isso. Não foi a primeira vez que ouvi Brasileiros com Passaporte Portugues degerir Portugal, e acredito que não será a última. Como Portuguesa de corpo e alma, lágrimas e sangue, magoa-me cá fundo e acredito que me dá o direito de dizer que gente que assim pensa e age não merece ser Português.

Deda said...

Lua e Cromossoma,

1) Acho que estamos entendidas quanto ao facto de, no enorme bolo dos luso-brasileiros, haver subgrupos com diferentes histórias, motivações e interesses. Respiro de alívio ao ter a certeza de que vocês sabem ver outras cores além do preto e do branco.

2) É certo que muitos brasileiros (dizer muitos é sempre uma gota num oceano, pois o Brasil tem cerca de 160 milhões de habitantes) vasculharam as gavetas em casa na esperança de encontrar documentos que lhes valessem um passaporte para a Europa. Não nego isso. Faz parte da essência humana buscar melhores condições de vida para si e para a sua família, a exemplo do que os portugueses fizeram e fazem.

3) Eu também condeno de forma veemente aqueles que, obtendo documentação portuguesa, falam mal do país. É um ultraje.

Como disse a Sónia, e bem, há gente boa e má em toda a parte do mundo.

4) Creio que a nova legislação portuguesa, vigente desde Dezembro de 2006, limita a requisição de nacionalidade apenas aos filhos e netos. O tantas vezes aqui referido caso da tia-avó não está contemplado. Sendo assim, parece-me que o nosso país já detectou o problema e se encarregou de desenhar uma moldura legal que refreie os tais casos abusivos que, tanto eu como vocês, condenamos.

O consulado geral de Portugal em São Paulo refere o seguinte quanto aos casos de terceira geração:

"Os brasileiros netos de português (ou portuguesa) mas cujo pai (ou mãe) faleceu sem obter a nacionalidade portuguesa a que tinha direito, podem TENTAR a sua aquisição por naturalização. A qual no entanto [sic], NÃO é transmissível aos filhos já nascidos (somente é transmissível aos filhos do requerente que ainda forem menores ou que nascerem após a aquisição de nacionalidade por este último, tal como só é transmissível ao cônjuge ou equivalente estrangeiro três anos depois da mesma data).
A nova Lei da Nacionalidade portuguesa, que entrou em vigor dia 14 de Dezembro de 2006, facilita a naturalização de brasileiros maiores, netos de português ou portuguesa. No entanto [sic] a nacionalidade portuguesa obtida por naturalização só é transmissível aos descendentes nascidos após ou que sejam ainda menores àquela data, tal como só é transmissível ao cônjuge ou equivalente estrangeiro três anos depois da mesma data.
No entanto, constitui fundamento de OPOSIÇÃO à aquisição da nacionalidade portuguesa a inexistência de ligação efectiva à comunidade nacional. Assim sendo, os requerentes precisam dispor de elementos que comprovem esta ligação (por exemplo, prova documental de ter residido em Portugal, contrato de arrendamento ou escritura de aquisição de imóvel para habitação, extractos de contas bancárias em Portugal, etc ... [sic])."

5) Eu não acusei ninguém de xenofobia. Acusei, isso sim, de generalização abusiva.
Rewind: "Contudo, volto a repetir, estes casos são específicos. Não podem servir para uma generalização abusiva que só reforça sentimentos xenófobos."

6)Tenho muito medo de discursos que tomam a parte pelo todo, mesmo que bem intencionados - e foi por isso que decidi deixar um comentário. Quem estudou a questão da identidade sabe que se trata de uma matéria muito fluida. Daí que não saiba responder à Lua quantos se sentem isto ou aquilo. E daí que tenha focado o meu caso e o do me irmão, que conheço com detalhe. Não posso julgar os outros.

7) Eu tenho procurado ao longo da minha vida privilegiar os lugares de encontro, prefiro a diversidade ao homogéneo. É nisso que acredito. Se eu conhecesse algum dos casos que vocês referem (não conheço nenhum na Inglaterra, mas cheguei há menos de seis meses), eu provavelmente tentaria ter uma abordagem positiva. Perguntaria de forma calma e educada: Mas por que é que você está a falar mal de Portugal? Você conhece Portugal? Você já leu algum autor português? Ai não? Então eu vou falar um pouco das coisas fantásticas que nós temos.
A informação é um agente de mudança poderoso, acreditem.

Um beijinho para ambas e votos de boa semana

PS. Sónia, como está a tua agenda na próxima quinta-feira?

Lua said...

Deda, primeiro que tudo obrigada por aqui deixares a legislação mais recente. Ajuda-nos a perceber o processo de uma forma muito mais clara.

Não tenho muito tempo para escrever agora mas gostaria só de dizer que acho que, mais uma vez, demonstraste que levaste a peito o que aqui foi escrito. Não existiram generalizações abusivas. Ninguém aqui falou do Brasil como um povo de não sei quantos milhões mas de uma parte (que é uma gota no oceano brasileiro) que está a tentar vir para Portugal. A parte que tu não negas está a tentar ter uma vida melhor.

Corrijo-te quando dizes que os Portuguese fizeram a mesma coisa. Não o fizeram porque o que os Portugueses fizeram foi ir para o Brasil com um passaporte Português contribuir para o crescimento do Brasil e das famílias que deixaram em Portugal. Os que ficaram, continuaram a contribuir para o crescimento do Brasil. Os brasileiros que vêm para o UK e depois ou voltam para o Brasil ou ficam pelo UK nada fazem por Portugal. Conseguimos ver a diferença aqui ou não?

Usas palavras muito bonitas, és extremamente 'politically correct' :) Concordo com os teus pontos 7 e 8 mas tu continuas a não ver e a não discutir as consequências de tal abuso aqui referido. Não te podes dar só a ti mesma e o teu irmão como exemplo e assim parecer justa porque o pareces, no fundo, é completamente alheia à realidade. Ser politically correct aqui não torna as coisas melhores. Ignorar comportamentos gerais de uma população não te torna melhor pessoa. Pelo contrário, torna-te cega.

Quanto à abordagem positiva... :) Eu sei que não foi a tua intenção mas a sério que foste super condescendente! Como é óbvio tudo o que recomendaste foi tentado. Inclusive o de me oferecer para dar aulas de Inglês de graça para ajudar brasileiros a integrarem-se melhor por aqui. Como vês não detesto os brasileiros, nem tenho uma noção geral disto ou daquilo.

Tenho sim tristeza porque enquanto que eu acho que o Brasil deve ser um lugar lindo, lindo, com uma cultura fantástica e om povo incrível, a maior parte do feedback que tenho são piadas de mau gosto e ignorância. Não de 160 milhões mas de uns quantos do milhão que referiste. Como todos o disseram aqui. Como tu, sortuda que és, ainda não tiveste o azar de ouvir...

E gente má há mesmo em todo o lado. Sabes, eu sou uma pessoa do mundo. Já ando a vaguear há muito e, de respeito pelos outros, entendo imenso. Se me conhecesses saberias disso. Mesmo que me conheças só pelo blogue quando não tenho papas na língua.

Lua said...

Obviamente não é 'que está a tentar vir para Portugal.' mas que está 'a tentar ter passaporte português'

Deda said...

Olá Lua,

Agradeço por teres respondido mesmo estando atrapalhada. Também não tenho muito tempo para escrever, estou numa semana louca em termos de leituras, candidaturas e prazos. Mas creio que o essencial já foi dito. Não temos (ainda bem) que chegar a nenhum denominador comum.

Deixo aqui então apenas alguns apontamentos:

1) Parte dos portugueses que foram para o Brasil (refiro-me sobretudo às décadas de 50 e 60) queria fugir à fome, à ditadura e à guerra colonial. Estes emigrantes ontribuíram para a economia brasileira (dinamizando negócios) e portuguesa (através da remessa de dinheiro para poupança ou ajuda a familiares) porque é assim que funciona a economia. Mas em primeira instância pensavam na melhoria do seu bem-estar - o que é absolutamente legítimo. Foi, de resto, o que safou a minha família da pobreza extrema.

2) As autoridades portuguesas sabiam que, uma vez fazendo parte da comunidade europeia, teriam vantagens e desvantagens.
Funcionar como uma porta de entrada para a Europa era uma consequência previsível. Assim sendo, deveriam atempadamente ter desenhado uma moldura legal adequada. Isso vale para todos os países com passado colonial.
Por mais que eu repudie a ingratidão de quem arranja um passaporte e desdenhe do país que o concedeu, se esta pessoa obteve os documentos legalmente... nada a fazer a não ser criar mecanismos para que a atribuição de passaportes seja justa e fundamentada. A bola está do lado das autoridades.

3) Os pontos 1 e 2, por si só, mostram que não estou cega para a realidade. Não só faço um breve enquadramento social e histórico do problema como também falo em soluções (que, à luz da nova legislação, já parecem ter sido tomadas há um ano e meio). Ambas sabemos que o problema existe, apenas reagimos a este facto de forma diferente.

4) Eu não gosto muito da expressão politicamente correcta. Parece que se refere a algo que se diz cá fora mas não se pensa no íntimo.
Talvez eu seja um pouco utópica, uma vez que acho que tudo pode ser melhorado. Com informação, com trabalho, com leitura, com delicadeza, com partilha, com políticas de apoio e integração.

Eu gosto de pensar que contribuo minimamente para um mundo melhor com as minhas pequeníssimas (e se calhar inócuas) acções diárias. Ilusão? Quem sabe. É a minha maneira de atribuir sentido à minha vida e ao meu trabalho. Talvez também seja uma forma de egoísmo, admito, pois sou mais feliz assim.

Os jornalistas que deixam de acreditar na mudança ficam muito chatos, acredita.

E agora é a minha vez: quando me conheceres melhor (já me conheces, já estivemos juntas no Grelha Douro, mas se calhar não lembras) vais perceber melhor este jeito de ser.

5) Tomei um pouco a peito, sim. É verdade. Como um ser híbrido (adoro esse conceito da biologia), ganhei muita sensibilidade para compreender os dois cais separados pelo oceano Atlântico.
Não gosto que generalizem os portugueses através de uma imagem redutora, luto sempre para desfazer a imagem do Manuel burro, do bacalhau e da Maria com buço. É natural que faça o mesmo quando o que está em causa é o Brasil.

Os nacionalismos são construções culturais, fazem parte da nossa estrutura mental, e foram estes conceitos que motivaram este debate desde a primeira hora.

6)Insistes que erro quando diagnostico neste debate uma propensão à generalização.
Lê de novo esta tua frase: "Ignorar comportamentos gerais de uma população não te torna melhor pessoa."

Achava bom, se concordasses, que continuássemos esta longa conversa num café. Adoro ouvir pessoas. E, de resto, já passamos os 90 minutos, podíamos poupar à malta os detalhes finais do jogo. Que dizes?

Deda

Deda said...

Uma correcção:

"Não temos (ainda bem) DE chegar a nenhum denominador comum." (e não "que")

Lua said...

Deda, concordamos em mais do que tu pensas... isto é bem claro com a tua última resposta.

Quanto à generalização, repito: A discussão não tem nada a ver com os brasileiros como nacionalidade mas sim com os brasileiros que pedem passaportes Portugueses para saírem do Brasil. Segundo as últimas estatísticas, 200 mil estão no UK e 65 mil estão em Portugal. Acho que não preciso de referir estatísticas neste contexto, pois não? Por isso, não são generalizações... são factos.

Um cafézinho soa mesmo bem :)

Cromossoma X said...

isto vem mesmo a proposito do meu post:

http://ana-de-amsterdam.blogspot.com/2008/06/adis-abeba.html

aqui esta um exemplo puro de quem envergonha Portugal.